Capítulo 1 - O Fim e o Começo (Parte 3)
Aldeia Carne
Era localizada na borda do Reino no Império, perto
da ponta do sul de Cadeia de Montanhas Azellerisia, logo fora de um fragmento
de floresta chamada Grande Floresta de Tob.
Para uma aldeia fronteiriça do Reino Re-Estize, sua
população era incomum – 120 almas, distribuídas entre 25 famílias.
A aldeia faz sua vida dos recursos da floresta e
agricultura. Além dos doutores e herbalistas que vinham coletar ervas, os
únicos visitantes da vila eram os coletores de taxas anuais.
A vida da aldeia era bastante ocupada mesmo cedo de
manhã. Aldeias não possuem a iluminação mágica de [Luz Continua] que podia ser
encontrada em cidades, então os aldeões se levantariam com o sol e trabalhariam
duro o dia inteiro até o pôr-do-sol.
A primeira coisa que Enri Emmot fez após acordar
extra cedo pela manhã foi carregar água do poço próximo. Transportar água era o
trabalho de uma mulher, e uma vez que ela terminasse de encher o grande tanque
na casa, aquela tarefa estava completa. Nesta hora, sua mãe teria preparado o
café da manhã para sua família de quatro.
Café da manhã era cevada ou mingau de trigo, além
de vegetais cozidos. Às vezes, eles teriam frutas secas também.
Depois do café da manhã, ela iria cuidar dos campos
com seus pais. Sua irmã de 10 anos iria na floresta juntar lenha ou ajudar com
o trabalho no campo. Quando o sino no centro da aldeia – a praça da aldeia –
tocasse para indicar meio dia, todos iriam parar para almoçar.
Almoço seria pão preto assado vários dias antes,
além de sopa com carne seca fatiada.
Trabalho no campo se resumia depois do almoço, e
quando o sol se põe eles iriam voltar para casa para jantar.
Pro jantar eles teriam o mesmo pão preto que eles
tiveram pro almoço, além de sopa de feijão. Se os caçadores da aldeia
conseguissem alguma presa, eles talvez consigam ter alguma carne para ir com o
jantar. Depois do jantar, a família se reuniria em torno da luz da lareira para
cuidar de tarefas domésticas, como remendar roupas usadas ou danificadas.
Eles iriam dormir por volta das 8.
A garota Enri Emmot nasceu 16 anos atrás e tinha se
tornado parte da aldeia desde então. Ela tinha vivido esses dias toda sua vida.
Em seu coração, ela se perguntava: por
quanto tempo mais esses dias imutáveis irão continuar?
*****
Hoje não era diferente de nenhum outro dia. Depois
de acordar, Enri foi no poço buscar água.
Depois de encher alguns baldes no poço, ela
precisaria de três viagens para encher o tanque de água de casa.
“Yosh~”
Enri rolou as mangas, expondo sua pele não
bronzeada, que era pálida e se sobressaia. Longos anos de vida de fazenda
garantiram que, apresar de seus braços parecerem finos e frágeis, eles eram na
verdade muito fortes, com apenas uma sugestão de músculo neles.
Os baldes cheios eram muito pesados, mas Enri os
transportou como sempre fazia.
Se os baldes fossem maiores, eu poderia
fazer menos viagens, isso não faria as coisas mais fáceis? Então de novo, se os
baldes fossem maiores, eu provavelmente não conseguiria levantá-los...
Enquanto Enri pensava sobre essa questão em seu
caminho de volta para casa, ela ouviu um som e virou para olhar. Havia tensão
no ar ali, e as sementes de medo começaram a brotar em seu coração.
Suas orelhas pareceram pegar algo como madeira
sendo quebrada, e depois disso—
“Um grito--?”
Parecia um pássaro estrangulado, mas
definitivamente não era o chamado de um pássaro.
Um arrepio percorreu a espinha de Enri.
Inacreditável. Deve haver algum tipo de erro. Não podia ser uma voz humana. Ela
tentou apagar o desconforto com esses pensamentos, e então eles desapareceram.
Ela teve que correr para a fonte do grito, pois
pareciam estar vindo da direção de sua casa.
Enri jogou os baldes de água de lado. Ela não podia
correr enquanto carregando aquele fardo pesado.
Apesar dela quase tropeçar em sua longa saia, ela
conseguiu manter seu balanço por algum golpe de sorte.
O som do soou no ar novamente.
O coração de Enri apertou-se em seu peito.
Não havia erro sobre isso – era um grito humano.
Ela correu, e correu, e correu.
Enri não podia se lembrar de correr mais rápido que
isso em sua vida. Ela estava correndo tão rápido que suas pernas estavam
prestes a se enroscar uma na outra.
Os relinchos de cavalos. Os gritos de pessoas, e
gritos
Esses sons estavam ficando mais claros e claros.
A distância, Enri podia ver um desconhecido homem
em armadura balançando sua espada à um aldeão.
O aldeão colapsou no chão com um grunhido de dor,
como uma marionete cujas cordas foram cortadas, e um golpe rápido da espada deu
o golpe fatal.
“Morga-san...”
Não havia estranhos em uma vila pequena como essa.
Todos eram próximos como parentes. Então, Enri sabia exatamente quem tinha sido
morto diante de seus olhos.
Mr. Morga era um alto mas agradável. Ele não tinha
feito nada errado, e não merecia morrer assim. Enri queria parar – mas no final
ela apertou os dentes e correu.
A distância que parecia bastante próxima enquanto
carregando água agora parecia um trecho sem fim. Conforme os sons de gritos e
maldições entravam em seus ouvidos, ela finalmente viu sua casa diante dela.
“Pai! Mamãe! Nemu!”
Enri abriu a porta enquanto gritava por sua
família.
Ela encontrou três rostos familiares com olhares desconhecidos
de medo. Eles estavam imóveis. Entretanto, quando Enri abriu a porta entrou,
seus rostos suavizaram, e o medo foi substituído pelo alívio.
“Enri! Você está bem?”
Seu pai a abraçou em seus braços fortes, que eram
musculosos e firmes do trabalho de campo.
“Ahhh, Enri...”
Os braços gentis de sua mãe a abraçaram.
“Bom, Enri está de volta, então é melhor corrermos
também!”
A família Emmot estava em grande perigo. Eles
tinham ficado em casa porque estavam preocupados de deixar Enri para trás,
então eles tinham perdido a melhor chance de escapar. A ameaça a suas vidas
poderia alcança-los a qualquer momento.
Enquanto ela pensava sobre aquele medo, ele se
tornou real.
Justo quando a família ia fugir, uma figura humana
apareceu na porta da casa. O homem em desenhado em silhueta pela luz do sol,
brilhava. Ele era um cavaleiro de armadura completa cujo peitoral tinha a
insígnia do Império Baharuth. Ele segurava uma espada longa em suas mãos.
O Império Baharuth era vizinho do Reino Re-Estize,
e os dois tinham travado guerras constantes um contra o outro. Até
recentemente, as chamas da guerra estavam limitadas na maior parte à região em
torno da Cidade Fortaleza de E-Rantel, e não tinha se espalhado a esta aldeia.
Entretanto, a vida tranquila que eles tinham
desfrutado terminaria aqui.
Enri podia sentir os olhos frios do homens por
entre as fendas de visão de seu capacete como se estivesse contando quantas
pessoas estavam na família de Enri. Isso a assustou.
O cavaleiro apertou a luva segurando a espada, e um
som de rangido veio de onde o metal esfregou contra metal.
E então, quando ele estava prestes a entrar na
casa—
“Uooooh!”
“Nuuuu!”
--Seu pai se abateu contra o homem, atacando-o para
fora da porta e saindo da casa com seu ímpeto.
“Se apresse e corra!”
“Maldito!”
O sangue escorreu pelo pequeno corte no rosto de
seu pai. Ele deve ter se machucado enquanto se atirava contra o cavaleiro.
O pai de Enri estava rolando enquanto ele lutava
com o cavaleiro no chão. O cavaleiro agarrou a mão do pai de Enri que estava
segurando uma faca, enquanto ele, por sua vez, impedia o cavaleiro de
desembainhar sua espada curta.
A visão de sangue no corpo de um dos membros de sua
família fez a mente de Enri ficar branca. Ela hesitava sobre se devia ajudar
seu pai ou correr.
“Enri! Nemu!”
Os gritos de sua mãe ajudaram Enri a recuperar-se,
ao olhar para sua mãe, ela viu a mulher mais velha balançando sua cabeça, com
uma expressão arrebatadora em seu rosto.
Enri agarrou a mão de sua irmãzinha e correu atrás
de sua mãe com grandes passos. Culpa e hesitação arranhavam seu coração, mas no
final, ela sabia que eles tinham que correr para a Grande Floresta de Tob.
Os relinchos dos cavalos, gritos de raiva, o choque
de aço, e o cheiro de carne queimada.
Todos esses assaltaram as orelhas e o nariz de Enri
de todas as direções da aldeia. De onde isso tinha vindo? Enri corria com toda
sua força enquanto ela tentava entender esses assuntos. Quando fugindo para um
espaço aberto, ela tinha que fazer seu corpo tão pequeno quanto possível, ou se
esconder nos cantos das casas.
A batida violenta de seu coração despedaçou o medo
que ameaçava congelar seu corpo sólido. Além disso, a pequena mão que ela
segurava na sua a estimulava.
--Sua irmã.
Sua mãe, que estava correndo na frente dela, de
repente congelou, e imediatamente virou-se para trás, suas mãos gesticulando
freneticamente para elas correrem para outro lugar.
Quando Enri percebeu porque sua mãe faria isso, ela
mordeu o lábio e forçou suas lágrimas de volta.
Ela apertou a mão de sua irmãzinha e correu,
tentando desesperadamente sair de lá, pois não queria ver o que aconteceria em
seguida.
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