Capítulo 1 - O Fim e o Começo (Parte 2)
Momonga deixou o que era conhecido como Quarto da Mesa Redonda.
Membros de guilda tinham um anel
reservado para seu uso. Qualquer um que vestir aquele anel irá automaticamente aparecer neste lugar quando eles logarem no jogo, exceto em circunstâncias especiais.
Se qualquer membro da guilda retornasse, eles iriam fazê-lo neste quarto.
Entretanto, Momonga sabia que os outros membros da guilda não estariam voltando
aqui. Nos últimos poucos minutos do jogo, o único jogador que restou no
gigantesco Grande Túmulo Subterrâneo de Nazarick era Momonga apenas.
Momonga suprimiu as emoções que
estavam surgindo como uma corrente, e andou através dos corredores.
Este lugar era como um castelo construído de alabastro, um magnífico mundo inundado com uma atmosfera real.
Se qualquer um erguesse a cabeça
para olhar o teto, eles veriam lustres de cristal pendurados no teto em intervalos fixos, irradiando uma luz quente.
Os corredores largos tinham chãos de
pedra brilhantemente polidos, que refletiam a luz dos lustras em um jeito que o
faziam parecer como se estrelas brilhantes estivessem incorporados na superfície.
Se um visitante abrir as portas em
ambos os lados dele, sua atenção seria cativada pelas mobílias decadentes
dentro.
Uma terceira parte observando essa
cena iria provavelmente encarar em admiração.
O tão odiado Grande Túmulo
Subterrâneo de Nazarick tinha uma vez sido atacado pela maior força invasora já
reunida na história do jogo. Oito guildas se uniram-se com seus aliados para
trazer uma força de mais de 1500 jogadores, mercenários e NPCs para tomar
Nazarick, mas no final, eles foram miseravelmente derrotados. Aquela lendária
masmorra estava agora reduzida à isso.
*****
O Grande Túmulo de Nazarick uma vez
foi uma masmorra de seis andares, mas foi dramaticamente alterada depois de Ainz
Ooal Gown tomar controle.
Atualmente, era uma masmorra de dez
andares, e cada andar tinha seu tema único.
O primeiro até o terceiro andar eram
modelados como um túmulo. O quarto andar era um lago subterrâneo. O quinto
andar era uma geleira congelada. O sexto andar era uma floresta tropical. O
sétimo andar era um mar de magma. O oitavo andar era um deserto. E o nono e
décimo andar eram os reinos dos deuses – em outras palavras, a base de Ainz
Ooal Gown, que tinha sido ranqueada entre o top dez das milhares de guildas de
YGGDRASIL.
*****
Os sons dos passos de Momonga e o
bater de seu cajado soavam através deste santuário sagrado. Depois de virar
vários cantos nestes corredores vastos, Momonga viu uma mulher à distancia,
seguindo em sua direção.
Ela era uma beleza sensual, cujo
exuberante, cabelo dourado roçava em seus ombros.
Ela estava vestida em um longo,
elegante traje de empregada com um grande laço.
Ela tinha cerca de 1,70 m de altura,
com um corpo esguio. Seus seios amplos pareciam que iriam estourar para fora de
seu corpete a qualquer momento. Sua aparência geral era atraente e dava a
impressão de ser graciosa e gentil.
Conforme os dois lentamente se
aproximavam um do outro, a empregada correu para o lado do corredor e curvou-se
profundamente para Momonga.
Em retorno, Momonga ergueu a mão em
reconhecimento.
A expressão da empregada permaneceu
como estava, e ela manteve o mesmo sorriso em seu rosto desde agora. Em
YGGDRASIL, expressões faciais não mudam, mas esta garota era levemente
diferente dos personagens dos jogadores com suas expressões imutáveis.
Essa empregada era um Personagem
Não-Jogável. Ela não era controlada pelo jogo, mas por um conjunto de rotinas
AI. Colocado simplesmente, ela era uma boneca móvel. Mesmo que seu desing seja
incrivelmente realístico, se curvar era nada mais do que uma ação programada.
O reconhecimento de Momonga à
curvada dela não passava de um gesto tolo, pois ela não passava de uma boneca.
Entretanto, Momonga tinha suas razões para não tratá-la friamente.
Haviam 41 NPCs empregadas no Grande
Túmulo Subterrâneo de Nazarick, cada uma com seu desing único.
Seu criador era um mangaka que tinha
quebrado na industria com suas ilustrações de empregada, e que era atualmente
serializado em uma revista mensal.
Momonga estudou a empregada
cuidadosamente. Além de sua aparência, ele também examinou seu uniforme.
A complexidade do desing,
especialmente o fino bordado que salpicava seu laço, era suficiente para fazer
pessoas engasgarem com admiração.
O desing delas tinha sido
excepcionalmente detalhados por causa da declaração, “Uniformes de empregada são
suas armas secretas!” Momonga não podia deixar de se sentir nostálgico quando
se lembrava das queixas dos outros membros da guilda que ajudaram com o desing.
“Ah... isso mesmo. Eu acho que foi a
partir de então que ele começou a dizer que “Uniformes de empregada são justiça!”
Parando pra pensar nisso, eu acho que o manga que ele está desenhando agora tem
uma empregada como personagem principal. Será que seus assistentes choram quando ele
exagera nos designs? Ah, Whitebrim-san.”
As rotinas Ai das empregadas tinham
sido programadas por Herohero-san e cinco outros.
Em outras palavras, essa empregada
era a personificação do trabalho duro de seus antigos amigos. Ele não podia
simplesmente ignorá-la sem se sentir mal sobre isso. Afinal, essa empregada também
era parte da gloriosa história de Ainz Ooal Gown.
Logo quando Momonga estava contemplando esses assuntos, a empregada levantou a cabeça, omo se tivesse
notado algo, e inclinou a cabeça em surpresa.
As empregada iriam fazer isso se
qualquer um demorasse em volta delas por mais do que um certo período de tempo.
Conforme Momonga procurava em sua
memória, ele não podia evitar mas ficar impressionado pela programação
elaborada de Herohero. Deviam ter outras poses escondidas também. Momonga
queria ver todas elas, mas o tempo era muito apertado.
Momonga olhou para o relógio
translucido em seu pulso esquerdo e checou a hora.
Como ele pensou, não havia tempo
para gastar.
“Obrigado pelo seu trabalho duro.”
Momonga passou pela empregada depois
de uma dolorosa despedida. Conforme ele passava pela empregada, não houve
resposta, mas isso era apenas o esperado. Ainda, mesmo que ela não o
respondesse, Momonga sentia que devia ser dito, porque era o último dia de
YGGDRASIL.
Momonga continuou em frente,
deixando a empregada para traz.
Depois de um tempo, uma gigantesca
escada apareceu diante dos olhos de Momonga. Era larga o suficiente para que
mais de 10 pessoas pudessem caminhar lado a lado, braços estendidos, sem
problemas. Um luxuoso tapete vermelho estendia-se sobre os degraus. Momonga
desceu lentamente, até que ele chegar ao último andar – o décimo andar do
Grande Túmulo Subterrâneo de Nazarick.
O lugar onde ele tinha chegado era uma
grande sala de recepção, com várias pessoas dentro.
O primeiro a entrar na linha de
visão de Momonga foi um distinto velho cavalheiro em um traje de mordomo.
Seu cabelo era puro branco, até
mesmo a barba e o bigode perto de sua boca. Entretanto, as costas do velho
homem estava ereta, como uma espada forjada de aço. Seu rosto estava
profundamente enrugado e dava aos espectadores a impressão de que ele era uma
pessoa amável e gentil, mas seus olhos afiados eram como aqueles de uma águia
avaliando sua presa.
Haviam seis empregada atrás do
mordomo. Entretanto, essas empregadas eram diferentes da que Momonga encontrou
antes, em aparência e equipamento.
As empregadas vestiam luvas e
armaduras de ouro, prata, e outros metais pretos e coloridos. A armadura delas
foi projetada para parecer com os trajes de empregadas em mangas. Elas não
vestiam vestiam capacetes, mas sim cocares brancos. Em adição, toda garota
estava armada com uma arma diferente. Elas eram a imagem de empregadas de
batalha.
Seus penteados também variavam, com
cabelo amassado, rabos de cavalo, cabelos longos e lisos, cachos franceses, e
assim por diante. A única coisa que elas tinham em comum era que cada uma delas
era atraente. A exata maneira que elas eram atraentes também variavam entre
elas; uma era esportiva e atlética, outra se assemelhava à uma donzela Japonesa
recatada, uma tinha um fascínio sedutor, e assim por diante.
Essas garotas eram NPCs, mas elas
eram surpreendentemente diferentes das outras empregadas, que tinham sido
simplesmente projetadas para entretenimento. Seu objetivo era defender contra
invasores.
*****
Em um jogo como YGGDRASIL, guildas
aproveitavam vários benefícios se eles possuíam uma base de guilda de nível
castelo ou superior.
Um desses eram NPCs para defesa da
base.
Os NPCs que o Grande Túmulo
Subterrâneo de Nazarick podiam usar eram monstros zumbis. Estes NPCs que
desovavam automaticamente – ou “monstros pop” – tinham um máximo de nível 30.
Mesmo que eles fossem destruídos, depois de um tempo eles reaparecer por si
mesmos, sem custos para a guilda.
Entretanto, jogadores não podiam
customizar o AI e a aparência desses NPCs “pop”.
Então, eles eram dificilmente uteis
em parar intrusos, que eram universalmente jogadores.
Havia também outro tipo de NPC; os
projetados desde o início até a satisfação de seus fabricantes. Se uma guilda possuía uma base de guilda nível castelo, a guilda possuidores teria permissão
para que 700 níveis fossem distribuídos entre qualquer número de NPCs que eles
desejassem.
Por que o maior nível em YGGDRASIL
era 100, por essas estipulações, a guilda podia fazer 5 nível 100 NPCs e 4
nível 50 NPCs, ou qualquer outra combinação.
Quando projetando um NPC original,
podiam customizar armamento e outros equipamentos em adição à roupa e aparência. Como resultado, um podia criar NPCs que eram mais fortes que as
desovas automáticas e colocá-los em localizações chaves.
Claro, nem todo NPC tinha que ser
designado para batalha. Uma certa guilda que se chamava “Reino Kitty” não
tinham outros NPCs além de gatos ou criaturas relacionadas com gatos.
Deste jeito, cada guilda podia
determinar livremente seu estilo único.
*****
“Umu.”
Momonga colocou o polegar em seu
queixo, e olhou para o mordomo e as empregadas que estavam se curvando para
ele. Momonga geralmente usava magia de teleporte para se mover entre os vários
cômodos, então ele não tinha muitas chances de vir por aqui. Olhando para a
equipe cheio de nostalgia.
Ele estendeu a mão e tocou um menu invisível, abrindo uma página que apenas os membros da guilda podiam ver.
Então, ele selecionou uma opção de muitas escolhas. Quando ele o fez, os nomes
do mordomo e empregadas apareceram sobre suas cabeças.
“Entendo. Então é assim que eles se
chamam.”
Momonga riu suavemente, por si mesmo esquecer seus nomes, e também pelas boas lembranças que eles lhe trouxeram.
Houveram várias discussões entre seus colegas quando eles decidiram escolher os
nomes para os NPCs.
O desing – Sebas’ – do mordomo era
aquele de um mordomo de casa.
As seis empregadas ao lado dele eram
empregadas de combate leais à Sebas. Juntos, eles eram chamados de “Pleiades”.
Além dessas empregadas, Sebas também estava responsável pelos servos do Túmulo.
A caixa de texto para Sebas também
continha informações mais detalhadas, mas Momonga não sentia vontade de lê-las.
Os servidores iam desligar logo e ele tinha um lugar para ir antes.
Como um aparte, todos os NPCs além
das empregadas também eram muito detalhados. Isso era porque os membros da
guilda eram todos fãs de complexas histórias de fundo e detalhes. Muitos dos
membros da guilda eram artistas e programadores, e um jogo como esse que
enfatizava a customização de aparências – permitindo-lhes satisfazerem seus
desejos para criar e projetar – era uma dádiva de Deus para eles.
Originalmente, Sebas e as empregadas
de combate foram pretendidos ser a última linha de defesa contra invasores.
Entretanto, se jogadores inimigos pudessem penetrar tão fundo no túmulo, eles
seriam capazes de derrotar Sebas e as empregadas, então eles eram um pouco mais do que redutores de velocidade
para comprar tempo. Entretanto, nenhum jogador sequer chegou tão longe, então
eles tem estado esperando aqui por ordens.
Sem ordens, tudo que eles podiam
fazer era esperar por uma chance de ser de uso.
Momonga apertou seu aperto no Cajado
de Ainz Ooal Gown.
Ele sabia que era tolice sentir pena
por NPCs. Eles não eram nada mais do que uma coleção de dados eletrônicos, e o
mais próximo que eles podiam chegar de emoções reais era uma muito habilidosa
rotina AI.
Entretanto—
“Como mestre de guilda, eu devo
colocar os NPCs em bom uso.”
Momonga não podia evitar rir de si
mesmo por aquela inacreditável frase vergonhosa, e então deu a eles um comando.
“Sigam-me.”
Sebas e as empregadas curvaram-se
respeitosamente, para mostrar que tinham reconhecido a ordem.
Levá-los eles para longe deste lugar
não era o que os membros da guilda tinham pretendido para eles. Ainz Ooal Gown
era uma guilda que respeitava a vontade da maioria. Era proibido para um
indivíduo egoisticamente manipular os NPCs que todos tinham feito juntos.
Entretanto, este era o dia quando as
cortinas iriam cair em tudo. Dado isso, todos iriam provavelmente perdoar sua
indulgencia.
Enquanto Momonga pensava sobre isso,
ele continuou seguindo em frente, seguido pelo som de vários passos.
*****
Eventualmente, o grupo chegou a um
vasto salão em forma de abóboda hemisférica. Lampadas de cristal de quatro
cores brilhavam do teto, e haviam mais de 72 nichos nas paredes. A maioria
deles estava cheia de estátuas.
Cada estátua foi modelada baseada na aparência de um demônio, e haviam 67 deles.
Este quarto era chamado “O
Lemegeton”. Foi nomeado baseado na Chave Menor de Solomon, que era um grimório
mágico.
As estatuas nos nichos eram
projetadas para parecerem os 72 demônios mencionados naquele livro, e na
verdade, elas eram golens, feitos de ligas mágicas extremamente raras. Deviam
ter 72 deles, mas tinham apenas 67, por que seu criador ficou entediado do
projeto e desistiu no meio do caminho.
As quatro lampadas de cristal
coloridas no teto eram um tipo de monstro, e no momento que um inimigo entra em
seu alcance, eles iriam invocar elementais de alto nível da terra, água, vento
e fogo, além de bombardeá-los com ataques mágicos AOE.
Se essas lampadas de cristal
atacassem todas ao mesmo tempo, o poder de fogo que elas soltariam poderia
facilmente derrotar duas parties de jogadores de nível 100, que seriam cerca de
12 pessoas.
Este quarto podia ser dito ser a
última linha defensiva do Grande Túmulo Subterrâneo de Nazarick.
Momonga levou os servos atrás dele
através do circulo mágico, e colocou seus olhos nas portas gigantes diante
dele.
O majestico conjunto de portas
duplas tinham mais de cinco metros de altura, e estavam cobertos em intricadas gravuras.
O lado esquerdo foi moldado em uma bela deusa, enquanto o lado direito foi
feito para lembrar um cruel demônio. Tão realístico era seu desing que mesmo do
outro lado da sala, Momonga sentia que iriam atacá-lo.
Ainda assim, enquanto as gravuras
pareciam que podiam se mover, Momonga sabia que eles nunca tinham se movido
antes.
--Desde que
eles chegaram até aqui, devemos reunir em glória e acolher esses bravos heróis.
Que outros nos caluniem como quiserem, mas nós devemos acolhe-los com orgulho e
abertamente, como os magnânimos lordes que nós somos.
Aquela ideia tinha sido passada, de
acordo com a regra do voto da maioria.
“Ulbert-san...”
Ulbert Alain Odle. Ele era
indiscutivelmente o mais obcecado com a ideia de “mal” na guilda.
“Isso era por cauda de
chuunibyou...”
Momonga sentia-se dessa forma
enquanto olhava em volta do quarto.
“...Iram essas duas estátuas
atacar?”
Ele estava certo em se sentir tão
incerto.
Mesmo Momonga não conseguiu
compreender completamente os segredos de todos os mecanismos nesta masmorra.
Não seria estranho se um dos membros aposentados da guilda tivesse deixado um
tipo de presente estranho para ele. E aquele que tinha projetado este conjunto
de portas era tal tipo de pessoa.
No passado, ele tinha projetado um
golem muito poderoso, mas pouco depois de ativado, uma falha no Ai de combate
se fez conhecida e ele atacou todos em volta.
Até hoje, Momonga ainda tinha
dúvidas caso aquele “erro” tinha sido de propósito.
“Hey, Luci★Fer-san, se eles
realmente me atacarem, eu vou ficar bravo, você sabe.”
Entretanto, a cautela de Momonga em
alcançar as portas era infundada. Ao tocá-las, elas abriram por si mesmas –
embora, elas o fizeram lentamente, em deferência ao seu enorme peso.
O ar mudou.
Embora a atmosfera do início
estivesse cheia de solenidade silenciosa, a cena diante de seus olhos agora
ultrapassava-a de longe. O ar tornou-se uma pressão que pesava pesadamente
sobre todo o corpo.
Era um requintado trabalho.
E neste largo, alto comodo –
Mesmo amontoando centenas de pessoas
dentro não iria fazer o comodo ficar lotado. O alto teto e as paredes o
cercadno eram predominantemente da cor branca, com decorações douradas como
iluminações.
Os númerosos lustres que estavam
pendurados no teto eram feitos de pedras preciosas de todas as cores do
arco-íris, e elas emitiam uma radiação fantástica, como um sonho.
Numerosas bandeiras adornadas com
diferentes simbolos pendiam de mastros afundados nas paredes. Um total de 41
dessas bandeiras balançavam gentilmente no vento, do teto ao chão.
No centro deste comodo que estava
pintado de ouro e prata, havia um lance de escadas de cerca de 10 degraus. Em
cima dessas escadas havia um gigantesco trono, esculpido em um único pedaço de
cristal, cujas costas eram altas o suficiente para tocar o teto acima,. Uma
enorme bandeira vermelha pendia atrás dele, exibindo orgulhosamente o simbolo
da guilda.
Este lugar era localizado no mais
profundo alcance do Grande Túmulo Subterrâneo de Nazarick. Era também seu lugar
mais importante – a Sala do Trono.
“Ohh...”
Até mesmo Momonga não podia evitar
de arfar com a magnificência deste quarto. Ele sentiu que era facilmente o
segundo lugar mais impressionante em YGGDRASIL, se não o primeiro.
Este era o lugar mais adequado para
ele receber os momentos finais do jogo.
Conforme Momonga avançava pela sala
que parecia absorver os sons de seus passos, seus olhos cairam na NPC fêmea que
estava ao lado do trono.
Ela era um bela mulher que usava um
vestido branco puro, e o sorriso fraco em seu rosto era o de uma deusa. Em
contrste com seu vestido, seu cabelo era um fluido, lustroso preto que chegava
até sua cintura.
Embora sua íris dourada e pupilas
verticalmente fendidas fossem um pouco estranhas, além desses, ela podia ser
considerada uma beleza de classe mundial. Entretanto, um par de chifres
curvados brotavam dos lados de sua cabeça. Além disso, um par de asas de penas
negras emergiam de sua cintura.
Talvez fosse por causa dos chifres,
mas seu sorriso divino parecia como uma mascara que ocultava seus verdadeiros
sentimentos.
Ela vestia um colar de outro que foi
modelado baseado em uma teia de aranha, que se estendia de seus ombros até o
topo de seus seios.
Seus magros pulsos estavam cobertos
por um par de luvas de seda lustrosas, e em sua mão ela segurava uma estranha
arma que parecia com um tipo de varinha. Tinha cerca de 45 cm de comprimento, e
um órbe negro pairava no final, flutuando ligeiramente no ar mas mantendo sua
posição no final da varinha.
Momonga ainda não tinha esquecido o
nome dela.
Ela era a Supervisora dos Guardiões do
Andar do Grande Túmulo Subterrâneo de Nazarick, Albedo. Ela estava encarregada
dos sete NPCs Guardiões do Andar. Em outras palavras, ela era o personagem de
maior rank no Grande Túmulo Subterrâneo de Nazarick.
Por causa disso, foi-lhe permitido
esperar ordens dentro da Sala do Trono, nos confins mais profundos do Túmulo.
Entretanto, Momonga voltou-se para
Albeido com um olhar afiado:
“Eu sabia que tinha um Item de
Classe Mundial aqui, mas como é que há dois deles aqui agora?”
Em YGGDRASIL, haviam 200 itens
finais no jogo, conhecidos como Itens Classe Mundial.
Os itens de Classe Mundial possuiam
habilidades únicas, e alguns deles eram tão equilibrados que eles podiam até
mesmo solicitar mudanças nas regras do jogo dos desenvolvedores. Claro, nem
todos os Itens de Classe Mundial possuiam tal poder insano.
Mesmo assim, um jogador que
possuisse mesmo um único Item de Classe Mundial seria catapultado para os
maiores escalões de fama em YGGDRASIL.
Ainz Ooal Gown possuiam 11 itens
como esse, maior entre todas as guildas. Mesmo isso era muito superior a
qualquer outra guilda. A guilda em segundo lugar só possuia três deles.
Com a permissão dos outros membros
da guilda, Momonga foi permitido possuir um desses itens finais, e o resto
desses Itens Classe Mundial foram espalhados por Nazarick. No entanto, a
maioria deles foram armazenados nas profundezas do Tesouro, defendido por seus
Avatares.
A única razão pela qual Albedo podia
possuir um tesouro tão raro sem o conhecimento de Momonga foi porque o membro
da guilda que projetou Albedo tinha dado à ela.
Entretanto, como hoje já era o
último dia do jogo, Momonga sentiu que ele devia respeitar os desejos de seu
companheiro que tinha dado o item à Albedo, e então ele não tomou outras
medidas.
“Este é um bom lugar.”
As palavras de Momonga eram
direcionadas à Sebas e as Pleiades quando eles chegaram à base das escadas
guiando ao trono.
Depois disso, ele começou a subir as
escadas, mas parou quando ele ouviu o som de passos atrás de si. Momonga não
pode evitar rir, apesar de que seu rosto esquelético não mostrava expressões.
Os NPCs eram meramente inflexiveis
rotinas AI. Se ele não desse uma palavra de comando especifica, eles não
reconheceriam isso como uma ordem. Momonga tinha esquecido isso e não comandou
propriamente os NPCs.
Depois que os membros da guilda
sairam, Momonga começou a caçar sozinho à um nível quase ridiculo em ordem de
conseguir dinheiro necessário para manter Nazarick. Ele não construiu amizade
com outros jogadores e os evitava, assim como áres de alta difículdade que ele
costumava visitar quando seus membros de guilda estavam por perto.
Então, ele iria depositar seus
ganhos no Tesouro antes de deslogar. Isso tinha sido sua rotina para quase
todos os dias. Como tal, ele não tinha muito contato com os NPCs.
“—Esperem.”
O som de passos parou.
Depois de Momonga dar o comando
correto, ele subiu os últimos degraus e chegou ao trono.
Ele encarou abertamente à Albedo,
que estava ao seu lado. Apesar dele ter entrado neste comodo antes, ele não
lembrava dos olhos dela o seguindo em suas memórias.
“Com que tipo de história de fundo ela
foi projetada?”
Tudo que Momonga sabia sobre seu
personagem era que ela era a Supervisora dos Guardiões, assim como o NPC de
mais alto rank em Nazarick.
Impulsionado pela curiosidade, Momonga
abriu um console e começou a percorrer os detalhes de Albedo.
Uma inundação densamente repleta de
personagens encheu sua visão.. era como ler um poema épico antigo. Se ele
tomasse seu tempo para ler em detalhes, ele provavelmente ainda estaria lendo até
o jogo acabar.
Momonga sentiu como se tivesse
pisado em uma mina terrestre. Se ele pudesse se mover, ele estaria tremendo
agora.
Ele queria repreender-se por ter
esquecido que o criador de Albedo era obcecado com esse tipo de coisa.
Entretanto, já que ele já tinha
aberto isso, ele não tinha escolha senão abandonar sua resistencia e continuar
rolando.
Ele nem mesmo percorreu o texto para
os pontos importantes; ele simplesmente rolou para o final o mais rápido que
pode enquanto olhando para o título.
Depois de pular vastas extesões de
texto, a mente de Momonga estabeleceu-se na última linha, e congelou.
“Ela também é uma puta.”
Ele não podia deixar de encarar.
“...Eh? O que isto significa?”
Um grito de descrença escabou dos
lábios inexistentes de Momonga. Ele olhou a palavra várias outras vezes, olhos
cheios de suspeita, mas no final, ele não podia achar qualquer outro
significado para elas. Depois de várias rodadas de pensamentos, ele só pode
chegar à conclusão com que ele tinha começado.
“Uma puta...deve ser um tipo de
insulto.”
Cada um dos 41 membros da guilda
tinham projetados seus próprios NPCs, então ele não podia entender porque
qualquer um iria querer tratar os NPCs que eles tinham projetados dessa
maneira. Talvez ele entenderia porque depois de ler aquele longo ensaio de
texto.
Entretanto, havia membros da guilda
que iriam vir com esses desings não convencionais.
A estilista de Albedo, Tabula
Smaragdina, era uma dessas pessoas.
“Ah, isso é o que eles chamam de gap
moe? Tabula-san... mesmo assim...”
Não é uma história de fundo como
essa um pouco demais?
Momonga não podia evitar pensar
nisso. Todos os NPCs feitos por todos eram uma herança da guilda. Projetando o
melhor NPC Albedo dessa maneira o fez pensar que Tabula Smaragdina estava além
da salvação.
“Umu”
Estaria tudo bem mudar a história de
fundo de um NPC baseado em uma decisão pessoal? Depois de pensar nisso por um
tempo, Momonga chegou a uma conclusão.
“Devo mudar?”
Atualmente, com a arma da guilda em
sua possessão, Momonga pode ser dito ser o mestre da guilda. Deveria estar tudo
bem exercer sua autoridade de mestre da guilda que ele nunca usou antes.
As dúvidas de Momonga desaparecerem
como névoa, enquanto ele se esforçava para corrigir os erros de seu companheiro
de guilda.
Ele estendeu o cajado de Ainz Ooal
Gown que ele estava segurando. Normalmente, ninguém desenvolveria ferramentas
para mudar a história de fundo de um personagem, mas através de seus poderes
como mestre da guilda, ele podia acessar diretamente suas configurações e
editá-las. Depois de alguma ação em seu console, a linha “puta” desapareceu.
“Bem, deveria ser assim.”
Momonga pensou um pouco mais, e
olhou para a lacuna no texto de Albedo.
Eu provavelmente deveria preencher
isso...
“Isso parece um pouco bobo.”
Embora ele estivesse rindo de si
mesmo, ele ainda digitou algumas palavras no teclado do console. As palavras
formaram uma sentença:
“Ela ama Momonga.”
“Uwah, que embaraçoso.”
Momonga cobriu seu rosto com as
mãos. Era como se ele estivesse projetando sua namorada ideal completa com
eventos de amor para si mesmo, o que embarrasou ele tanto que seu coração
começou a bater. Apesar dele querer reescrever aquilo por vergonha, no final
ele mudou de ideia e decidiu contra isso.
O jogo iria acabar logo, afinal, e
sua vergonha iria desaparecer com isso. Além disso, a sentença combinava com a
lacuna deixada pela frase excluida exatamente. Seria uma pena se ele deletasse
e deixasse uma espaço vazio novamente.
Momonga sentou no trono, escaneando
seus arredores com olhos cheios de satisfação e um pouco de embaraçamento. Ele notou
que Sebas e as empregadas ainda estavam em pé num estado adormecido. Parecia um
pouco solitário, e um pouco estranho, tê-los de pé imobilizados assim.
Eu acho que havia um comando para
isso.
Momonga recordou as palavras que ele
tinha ouvido antes, e extendeu a mão antes de lentamente abaixá-la.
“Ajoelhem-se.”
Como um, Albedo, Sebas e as seis
empregadas cairam em seus joelhos em reverência.
Bom.
Momonga ergueu sua mão esquerda para
verificar a hora.
[23:55:48]
Ele estava bem na hora.
Com toda a probabilidade, os GMs
estavam provavelmente inundando os canais públicos e desencadeando fogos de
artifício. Momonga, que tinha colocado seu coração e alma neste lugar e cortou
todo o contato com o mundo exterior, não sabia disso.
Momonga se encostou contra as costas
do trono, e lentamente ergueu a cabeça para olhar para o céu.
Ele acreditava que mesmo no último
dia do jogo, alguns invasores poderiam vir para Nazarick.
Ele esperaria por eles. Ele iria
aceitar quaisquer desafios em sua posição de mestre da guilda.
Ele tinha mandado emails para todos
os membros da guilda, mas apenas alguns tinham vindo.
Ele esperaria por eles. Ele iria
receber seus companheiros de volta em sua posição de mestre da guilda.
“Uma reliquia do passado, huh—“
Momonga mergunlhou em pensamento.
Apesar da guilda agora ser apenas
uma concha vazia, ele tinha apreciado seu tempo aqui.
Ele virou seus olhos para olhar as
enormes bandeiras penduradas no teto. Haviam 41 delas no total, o mesmo número
que tinha de membros da guilda. Cada uma delas exibia o simbolo pessoal de cada
membro da guilda. Momonga estendeu seu dedo esqueletico e apontou para uma
delas.
“Minha.”
Então, ele virou sua atenção para
uma bandeira próxima. Aquela bandeira representava um dos jogadores mais fortes
em Ainz Ooal Gown – não, em toda YGGDRASIL. Ele foi aquele que começou a
guilda, e aquele que juntou os “Nove Originais”.
“Touch Me.”
O símbolo na próxima bandeira que
ele apontou pertencia ao membro mais antigo de Ainz Ooal Gown, que era um
professor em uma universidade na vida real.
“Shijuuten Suzaku.”
Seu dedo se moveu mais rápido que
antes, mudando para a bandeira que pertencia a uma das três membros femininas
da Ainz Ooal Gown.
“Ankoro Mochimochi.”
Momonga fluidamente recitou os nomes
dos donos de vários símbolos: “Herohero, Peroroncino, Bukubukuchagama, Tabula
Smaragdina, Warrior Takemikazuchi, Variable Talisman, Genjiro—“
Não demorou muito para ele nomear
todos os seus antigos 40 companheiros.
Seus nomes ainda estavam marcados no
cérebro de Momonga.
Ele espreguiçou-se cansadamente no
trono.
“Yeah, foi realmente divertido...”
Mesmo que o jogo não tenha taxas de
inscrição, Momonga ainda gastou um terço de seu salário mensal nele. Não era
porque seu salário era alto, mas porque ele não tinha outros hobbies, então ele
canalizou todo seu salário em YGGDRASIL.
Havia um cash gacha no jogo onde os
jogadores podiam pagar pela chance de vencer um prêmio. Momonga gastou quase
seu bonus inteiro nisso, e mal conseguiu um item raro pela experiência.quanod
ele ouviu que um de seus membros da guilda tinha vencido aquele item pelo preço
de um almoço, Momonga estava tão cheio de inveja que ele queria rolar no chão.
(TL: os gachas são gírias para jogos
baseados em loterias ou sorteios de sorte. Nomeados baseados em gachapons, que
não maquinas de venda automáticas operadas por moedas que distribuem prêmios
aleatóriamente.)
Porque quase todos os membros da
Ainz Ooal Gown eram membros produtivos da sociedade, a maioria deles estava
dispostos a gastar dinheiro nesse hobby, e entre eles, Momonga foi o que mais
gastou. Ele provavelmente estava entre um dos poucos melhores no servidor.
Isso é quão dedicado ele era. Aventurar-se
era divertido, mas sua maior diversão era encontrada em jogar com seus amigos.
Para Momonga, cujos pais já tinham
falecidos e não tinha nenhum amigo na vida real, a guilda Ainz Ooal Gown era
uma memória brilhante dos bons tempos que ele teve com seus amigos.
E agora, essa guilda iria
desaparecer.
Seu coração estava cheio de remorso
e relutancia.
Momonga agarrou o Cajado de Ainz
Ooal Gown corretamente. Ele era apenas um trabalhador, e lhe faltava o poder
financeiro ou coneções para mudar esse fato. Ele era apenas mais um jogador que
podia apenas assistir o tempo de fechar se aproximando.
O horário em seu relógio dizia
[23:57]. O servidor irá fechar à 00:00.
Havia pouco tempo sobrando. O mundo
virtual iria acabar, e ele teria que voltar à realidade no dia seguinte.
Aquilo era apenas natural. Ninguém podia
viver em um mundo virtual, que é o porque todos se foram, um por um.
Momonga suspirou.
Ele tinha que acordar às 4 amanhã. Ele
tinha que dormir no momento que os servidores desligassem para não afetar o
trabalho no dia seguinte.
[23:59:35, 36, 37]
Momonga ajustou seu relógio para
contar os segundos.
[23:59:48, 49, 50]
Momonga fechou os olhos.
[23:59:58, 59--]
A contagem regressiva terminou. Ele esperou
que as cortinas caíssem em seu mundo de fantasia—
Ele esperou para o logout automático—
[0:00:00... 1, 2, 3]
“ ...Hm?”
Momonga abriu seus olhos.
Ele não tinha retornado para seu
quarto familiar. Esta ainda era a Sala do Trono em YGGDRASIL.
“O que está acontecendo?”
O tempo estava certo. Ele devia ter
sido deslogado forçadamente pelo desligamento do servidor.
[0:00:38]
Era definitivamente depois da meia
noite. O relógio não podia estar errado por causa de um erro no sistema.
Um confuso Momonga olhou em volta,
procurando por quaisquer pistas nas redondezas.
“Poderia ser um atraso no
desligamento do servidor--?”
Ou eles tinham extendido o tempo de
jogo como forma de compensação.
Apesar de várias razões aparecerem
em sua mente, elas ainda estavam longe da verdade. Entretanto, a razão mais
provável era que uma força irresistivel surgiu, e extendeu o tempo do
desligamento do servidor. Se esse era o caso, os GMs teriam feito um anuncio. Momonga
apressadamente trabalhou para reabrir o painel de mensagens que ele tinha
fechado – e então ele parou na metade.
Não havia console de comando.
“O que... na terra aconteceu?”
Momonga estava cheio de pânico, frustração
e suspeita, mas ele também estava surpreso por quão calmo ele estava
considerando as circunstâncias. Ele decidiu chamar por outros meios. Conexões forçadas
que não requeriam um console, a função de chat, uma chamada GM, um logout
forçado—
Nenhum deles responderam. Era como
se eles tivessem sido deletados do sistema.
“...O que diabos está acontecendo!”
A voz irritada de Momonga ecoou pela
Sala do Trono, então desapareceu.
“Hoje era o último dia de YGGDRASIL,
mas todas essas coisas estão acontecendo no dia que devia estar marcado um fim
para o jogo. Isso é alguma pegadinha que eles estão fazendo com os jogadores?”
Momonga estava bastante infeliz que
ele não pode encontrar o fim do jogo em grande estilo, e as palavras que ele
murmurou claramente ilustrou a raiva dentro dele. Não deveria ter nenhuma
resposta para sua suspeita hostil.
--Entretanto...
“O que há de errado, Momonga-san?”
Era a primeira vez que ele ouvia a voz
daquela bela mulher.
Momonga se assustou, mas ele
continuou procurando pela fonte da voz. Quando ele encontrou aquele que tinha dito
as palavras de agora, ele ficou sem palavras.
A pessoa que lhe respondeu era o NPC
levantando a cabeça – Albedo.
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