segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Overlord - Prólogo




Prólogo


O cavaleiro de armadura, de frente para a garota e sua irmã caçula, ergueu sua espada.

Sua lâmina brilhava no sol, e ele equilibrou-se, pronto para terminar com suas vidas em um único golpe sem misericórdia.

A garota apertou seus olhos fechados e mordeu seu lábio inferior. Ela nunca pediu por isso. Ela foi forçada em sua presente circunstância. Se apenas ela tivesse alguma força, se ela tivesse resistido ao inimigo em frente a ela e fugido.

Entretanto -- a garota não tinha essa força.

Então, só podia ter um resultado para essa situação.

Que seria a morte da garota, nesse mesmo lugar.

A espada longa caiu—

--E ainda não havia dor.

A garota cautelosamente abriu os olhos que estavam fechados apertados.

A primeira coisa que ela viu foi a, subitamente, imóvel espada.

Então, ela viu o dono da espada.

O cavaleiro em frente à ela estava congelado no lugar, seus olhos olhando para algum lugar ao lado da garota. Sua postura completamente indefesa claramente revelava o medo que o preenchia.

Como se guiada pelo olhar do cavaleiro, a garota não podia evitar virar para olhar na mesma direção que ele.

E então – a garota olhou para o desespero.

O que ela viu foi trevas.

Era uma infinitesimamente fina, ainda que imensuravelmente profunda escuridão. Era uma meio oval de obsidiana que parecia saltar da terra. Era uma misteriosa vista que enchia aqueles assistindo-a com um poderoso senso de desconforto.

Era isso uma porta?

A garota não podia evitar mas pensar depois de ver isso diante dela.

Quando seu coração se agitou, a conjectura da garota foi confirmada.

Alguma coisa parecia estar vindo da passagem sombreada.

E no momento em que se revelou em seus olhos—

“Hiiiiiiii!”

--Um ensurdecedor guincho veio da garota.

Era um oponente que a humanidade não podia derrotar.

Pontos gêmeos de luz carmesim queimaram brilhantemente com as órbitas da caveira esbranquiçada. Aqueles dois pontos de luz friamente escanearam a garota e os outros presentes, como um predador avaliando sua presa. Com suas mão sem carne segurava um cajado mágico que parecia divino em natureza, e ainda inspirava horror em igual quantidade. Era como uma cristalização de toda a beleza do mundo.

Usava uma manta negra intricadamente detalhada, e lembrava o nada, muito como a encarnação da morte, nascido das trevas de outro mundo.

Em um instante, o ar pareceu congelar.

Era como se o tempo em si tivesse parado no acordar do advento do Ser Supremo.

A garota esqueceu como respirar, como se a visão tivesse lhe roubado a alma.

Então, nesse mundo silencioso, a garota começou a sufocar, e arfou por ar.

Esse avatar da morte deve ter manifestado-se em ordem de guia-la para o submundo. Era apenas natural pensar assim. Mas então, a garota que pensou dessa forma subitamente percebeu que algo estava errado. Isso era porque o cavaleiro que estava planejando matá-la pelas costas estava completamente parado.

“Gaaah...”

Um choro que soava como um lamento arrastou-se em seu ouvido.

De que boca havia este som vindo? Parecia como se pudesse ter vindo dela, ou de sua irmãzinha, tremendo em terror, ou da boca do cavaleiro que estava prestes a matá-la.

Uma mão esquelética lentamente estendeu-se – seus dedos alongaram-se como se tentando alcançar algo, e moveram-se além da garota, em direção ao cavaleiro atrás dela.

Ela queria desviar o olhar, mas o medo a manteve olhando. Ela tinha um sentimento de que se ela desviasse o olhar, ela veria algo ainda mais horrível no lugar.

“[Grasp Heart]”

A encarnação da morte fechou seu punho, e a garota ouviu o som de metal sendo esmagado atrás de si.

Seus olhos não deixaram a figura da Morte, mas levada por sua curiosidade, a garota desviou seus olhos, e viu o corpo do cavaleiro. Ele estava esparramado imóvel no chão, como uma marionete cujas cordas foram cortadas.

Ele estava morto.

Não havia dúvida de que ele estava morto.

O perigo que quase a ameaçara não existia mais. Mas isso não era motivo de comemoração. A morte que a perseguia havia meramente tomado uma forma mais concreta.

A morte se aproximou da garota, que assistia com olhos aterrorizados.

As trevas em seu campo de visão cresceram ainda mais.

Irá me devorar.

Quando a garota pensou isso, abraçou sua irmã com força.

O conceito de escapar não existia mais na cabeça da garota.

Se seu oponente fosse humano, ela talvez pudesse se prender a uma fraca esperança e lutar desesperadamente pela sua vida. Mas o ser diante dela havia destruido aquela esperança como um vidro galvanizado.

Por favor, pelo menos me deixe morrer sem dor.

Era tudo que a garota podia esperar.

Sua irmã tremendo a abraçou apertado. Tudo que ela podia fazer era desculpar-se por sua fraqueza, por ser incapaz de proteger a vida de sua irmã. Ela rezou para que sua irmã não ficasse solitária enquanto elas iam para a vida após a morte, porque elas estariam viajando juntas.

E então—

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